
A frase do título é das coisas que mais ouvimos em qualquer redação, pelo menos nas paulistanas. Se houver colegas de outras cidades que possam falar como é nos meios de comunicação de seus lugares, sintam-se à vontade para dizer.
Como até nossas avós nonagenárias sabem, to print significa em inglês o que conhecemos bem em português: imprimir. Porém, como filho feio não tem pai, sabe-se lá o motivo de ouvirmos sempre tal expressão quando há um conjunto de jornalistas reunidos.
E não é apenas a pomposa “tira uma print” que ouvimos. Temos também as variantes, como “printar” e o texto impresso ser chamado de “o/a print”. E esse troço se impregna no vocabulário. Até eu, que abomino tal expressão, soltei uma por acidente nesta quarta-feira, durante o batente da cobertura de férias que estou realizando. E olha que sempre faço questão de falar “imprime isso, por gentileza”.
Quem for católico fervoroso vai agradecer de o latim ser o idioma oficial no Vaticano e poder ler um chique imprimatur nas obras ou mesmo em uma simples edição da Bíblia Sagrada. Já pensaram se o português das redações fosse o idioma oficial da Santa Sé? Olharíamos uma encíclica papal e ela teria embaixo a autorização manuscrita com “tira um print”. E, claro, até um fervoroso de nível fanático cego a tudo ia dar uma de Batoré e dizer “ah, pára, ô!”.
O pior de tudo isso é que esses vícios de linguagem tiram toda e qualquer moral de um jornalista que queira combater gerundismo ou indagar o porquê de o povo falar “seje”, “nóis fumo”, “a gente véve a vida”, “tô cum pobrema no figo” e por aí vai.





1 comment
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Terça-feira, 19 Fevereiro, 2008 às 8:13 pm
Lucio Antoniolo
Trabalho numa empresa de informática, aqui não falamos isso não! “Imprimir” é sempre a palavra usada.
E olha que os termos em inglês permeiam nosso vocabulário…