Como já disse em outra ocasião, muitas vezes o jornalista cria uma imagem de leitor em sua cabeça por causa de uma meia-dúzia de manés que mandam carta de monte ou dos trolls de plantão. E é essa imagem distorcida que acaba virando regra nas redações que tratam o leitor como mentecapto.
Porém, se há uma idéia que me agrada é a de conselhos de leitores, como a Info (outrora Info Exame) faz. É algo com assento rotativo, de maneira a não criar vícios na redação. E também uma forma de manter o leitor mais próximo do jornalista.
Um conselho de leitores talvez funcionasse bem mesmo em publicações não-especializadas. Teriam de ser leitores de alguma relevância e, claro, não-idiotas. Em uma base de milhares, é fácil achá-los.
É sempre preciso levar em conta a diversidade de leitores, para que não fique aquele lance de falar propositadamente para sempre o mesmo tipinho de pessoa e querer achar que aqueles são todos seus leitores. Mesmo aqueles colhidos para o conselho não representam exatamente o todo do universo de leitores inteligentes.
Também não saberei se algo assim se aplicaria à internet, ainda mais pensando que esta qualquer um lê. Creio que, a exemplo da Info, aplique-se muito bem a publicações especializadas, pois essas muitas vezes são as que mais sofrem pressões para largarem caminhos que estavam bons, principalmente quando a tal pequena porcentagem de leitores burros que escrevem muito está na ativa. Em outros meios, também encontraria serventia, mas desde que fosse pensado muito sobre como se inseriria.
E você, o que acha?





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Sexta-Feira, 23 Novembro, 2007 às 1:24 pm
pedroserra
Bom, o leitor é a pessoa que realmente irá consumir o produto e sua opinião é importante, mas se levarmos em conta o que as pesquisas dizem, sempre cairemos no jornalismo meia-boca de hoje em dia. Foi por causa dessas pesquisas que os jornais introduziram a maioria das regras que estão por aí, e foi baseado nelas que eles criaram nosso amigo O Leitor.
Criar um conselho de leitores me parece uma boa idéia, pois sai do espectro das pesquisas quantitativas para as qualitativas, onde realmente O Leitor deixa de ser uma estatística para ser uma pessoa, que integrada ao ambiente da empresa de comunicação e entendendo o seu funcionamento, mas sem estar envolvido com a produção de notícias em sí, pode dar opiniões mais pertinentes e realmente úteis. O difícil aí é selecionar estas pessoas que irão representar os leitores… achar a sintonia fina. Pois não podemos nivelar nem por cima nem por baixo, com o risco de perder leitores… mas selecionar o leitor médio (seja lá o que isso for) é cair na mesmice…
Semana passada recebi um comentário no meu blog sobre turismo – http://semdestino.wordpress.com – em um post que fiz sobre os museus do Brasil. Acredito que a linguagem que uso lá não é nada demais, mas a nobre leitora mandou “Gostaria de dizer que gostei muito do blog, só que ele poderia ter uma linguagem mais fácil”.
E aí??? será que as cerca de 250 pessoas que visitam este meu blog diariamente também pensam assim e não estão lendo as matérias? Será que eu deveria atender o pedido dela e escrever com “uma linguagem mais fácil”?
Bom, eu não sei fazer isso… ou melhor, eu não quero. E essa é a beleza de ter um blog, poder fazer do jeito que você gosta.