Começo este blog em plena madrugada do Dia sem Carro. Ele surge de alguém que se cansou de ouvir as seguintes histórias dentro das muitas redações pelas quais passou:

“Você tem que presumir que o leitor não saiba absolutamente nada do assunto”

“E você acha que alguém vai ler isso?”

“Esse tipo de texto é muito floreado”

“Tem de estar tudo na primeira frase”

“E você acha que o leitor sabe o que é isso (imagine algo bem óbvio no lugar da palavra ‘isso’)”

E tantas outras frases que se ouve no cotidiano do jornalista e que nem sempre o leitor sabe. Talvez ele note que os meios de comunicação parecem cada vez mais iguais, mas não sabe o motivo de assim estarem. Sente-se tratado como idiota? Acha que estão ensinando o pai-nosso ao vigário? Sente falta de algo que saia de um esqueminha feijão-com-arroz? Pois saiba que muitos jornalistas também sentem isso. Somos seres humanos como quaisquer outros e também queremos ter nossa inteligência respeitada.

Há muitos editores sábios o suficiente para captarem a alma de um texto. Mas também há uns que ligam a si próprios no automático e que sequer se dão ao trabalho de ler mais aprofundadamente. Esquartejam tudo aquilo que lhes pareça estranho ou lhes force um pouco a pensar. São os que presumem que você, leitor, seja um Homer Simpson da vida. Te consideram um completo boçal, incapaz de querer qualquer coisa muito além da simples resposta às perguntas básicas. Acham que você não merece ter prazer na leitura.

Tudo bem que também há leitores que são de matar, mas infelizmente é por esses poucos, que são bem barulhentos, que a coisa está sendo nivelada. E cada vez mais as matérias desestimulam que a pessoa saia de sua zona de conforto para pesquisar um pouco a respeito. Cada vez menos o jornalismo ajuda a criar um mundo melhor. As redações mais e mais fecham-se para o mundo. E cada vez mais é o mundo que perde. São muitas as hipocrisias que vemos no fazer da profissão e que de alguma forma se refletem no texto que fazemos, muitas vezes sem aquela gana de nossos tempos de faculdade.

Não pretendo mudar o mundo, mas que quero um jornalismo melhor, isso quero. Não falo aqui de espectros políticos, até porque é preciso ser isento. Imparcialidade é utopia e, em alguns casos, cinismo dos mais grosseiros. Seus pais falam de matérias imortais da Realidade, e nós, sobre o que falaremos? De textos cada vez mais sem sal e que esqueceremos na primeira oportunidade? Seja bem-vindo, meu caro leitor e também meus caros colegas que compartilham dessa idéia.

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