Quando era criança, sempre que eu ou meu irmão não sabíamos algo, perguntávamos para nossos pais o que era. Depois de um certo tempo, quando perguntávamos o que significava uma palavra, recebíamos invariavelmente a resposta “procure no dicionário”. Naturalmente, ficava bastante irritado com tal resposta, mas hoje até agradeço por isso. E, pela minha idade, era em tempos em que internet ainda era coisa restrita aos militares americanos.

Talvez fosse parte do jeito naturalmente meio rústico de um lar metade italiano do Sul, metade ibérico. Dizem que lares gregos também não são muito diferentes, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é nossa postura enquanto jornalistas. Será mesmo que estamos incentivando nosso leitor a pesquisar ou, ao dar a coisa tão mastigadinha e tratando-o quase como uma criança que deve ser guiada pelo bracinho, não estamos incentivando, isso sim, a não-informação?

Vamos lá, no alto de nossa pretensão de querer informar e ficamos nos detendo tanto em explicar coisinhas irrisórias ao entendimento do ocorrido, ou sendo forçados a, que acabamos por desviar a atenção do leitor, que pode acabar se sentindo satisfeito com aquele nível de informação mais enfeitada que um carro alegórico, que terminando o Carnaval costuma ter destino parecido ao de um jornal quando não é mais do dia. E que te leva do ponto A, conhecido como concentração, ao ponto B, também chamado de apoteose. E só.

 Acima, o que muitos jornalistas enfrentam na hora em que passam suas matérias e a certos editores, em uma versão ligeiramente (e só ligeiramente mesmo) exagerada. E o cerne da coisa, como fica?

 Porém, estamos estimulando o leitor a ir atrás e se informar mais do que aquele espacinho que nos foi reservado para escrever? Creio que não. Em alguns casos, até te pedem para dar alguma fonte de informação a mais. Porém, qual será o grau de consultas a tal fonte. Quantos aceitarão a matéria como verdade inquestionável e sequer se darão ao trabalho de ir além? Estamos querendo dar autonomia para quem nos lê ou pensar que podemos escravizá-lo?

 Penso nisso principalmente ao ver matérias que só faltam dizer latitude e longitude em que ocorreu algo, mas que falham ao inserir o leitor no cenário, de tão burocráticas que ficam.

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