Quem é not�cia? A fonte ou o feito da fonte?

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Imaginemos que a mulher aí de cima seja uma genial cientista. Descobriu uma teoria que revolucionou um determinado setor que não afeta tanto nosso dia-a-dia, mas mesmo assim é algo muito revolucionário ou extraordinário para a ciência em geral.

Você leva esse assunto à reunião de pauta, e chega a levar uma série de informações falando da figura em questão. Todo esperançoso, imagina que uma questão dessas, que tem sua importância, vá ser acolhida sem maiores objeções.

Acaba por se decepcionar. Instâncias superiores dizem que a notícia é legal, mas ela é muito feia, não sairá bem na foto e por causa disso, uma pauta é derrubada. Talvez falem da enésima BBB que vai posar nua e que nem é assim tão bonita quanto querem supor.

OK, é um caso bem exagerado, até porque editoria de ciência não tende a ter essas coisas, mas serve para ilustrar o preconceito que mulheres sofrem enquanto fontes.

E não precisa ser um canhão que nem nosso distinto exemplo. Basta acharem a mulher esquisita que logo virão com objeções a ela ser pauta, mesmo que tenha feito algo extraordinário.

Antes de virem acusar o modelo patriarcal machista e blablablá, aviso que já ouvi papos desses inclusive de mulheres falando sobre que mulher pôr em uma determinada nota. Até puseram uma que consideravam esquisita, meio a contragosto e ainda depois ficaram criticando a decisão já tomada.

Esqueceram-se que a fulana em questão tinha mandado muito bem em nível mundial em um campo sem tanta expressão no Brasil.

Não duvido que muitos outros jornalistas tenham casos semelhantes a esse ou até provavelmente muito piores.

Lembro-me sempre da Joana Woo, presidente da editora Símbolo, onde trabalhei, falando que as vezes em que a Dieta Já mais vendia era quando tinha na capa uma mulher não-famosa, que às vezes nem tão em forma estava e nem tão bonita era obrigatoriamente, mas que tinha secado umas boas dezenas ou quase centena de quilos. Sim, isso mesmo que estão lendo. Se isso não é o interesse pela informação, não saberei o que é.

Claro que há espaço nas publicações para mulheres deslumbrantes aparecerem pelo simples fato de serem deslumbrantes. Um ensaio sensual ou de nu é exemplo disso. Nesses casos, o texto é só mesmo algo para ocupar espaço um determinado espaço e dizer que ocupou. Porém, tratar a notícia que uma mulher vá dar como algo de menor ou nenhuma relevância só porque ela não é bonita é de uma coisificação com a pessoa sem tamanho. E é mais comum do que pensam.

Que uma matéria não seja publicada por causa de fotos que ficaram ruins (por problemas na resolução adotada pelo fotógrafo, por exemplo), vá lá. Mas não noticiar algo que nada tem a ver com beleza da pessoa pelo fato de a fonte que gera a notícia não ter exatamente um certo grau estético é de um cinismo sem igual.

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