Jornalistas que entram em uma redação são orientados a não escrever em voz passiva, isso quando não são instados a bani-la de seus textos. Essa é tida como um complicador à leiturabilidade e que deve ser banida a qualquer custo. Porém, quando indagados mais profundamente, muitos jornalistas deixarão demonstrado o desconhecimento do porquê de tal regra que muitas vezes nem encartada no manual de redação está.

Quando os meios são lidos, expressões como “bala perdida mata fulano” têm maior constância em sua aparição, mesmo que sua construção seja um demonstrativo de pessoas transformadas em mera estatística, isso quando não insensibilidade. É algo que um “fulano é atingido por bala perdida” seria mais respeitoso à memória do anônimo que teve abotoado o paletó de madeira.

E a voz passiva segue transformada em tabu. Até mesmo objetos inanimados são tidos como dignos de voz ativa. Assim, subitamente a uma bala é conferida vida própria, até mesmo ser transformada em agente de um crime.

Ouvem-se diversos papos em redações contra a dita cuja. Porém, ela nunca é pensada como algo enriquecedor de textos e com lugar adequado, desde que usada com parcimônia, assim como a ativa o deve ser. Crê-se que seu banimento foi causado pela presunção de que o leitor é portador de alto grau de ignorância e incapaz de saber ou ter algum grau de conhecimento.

Este texto foi propositadamente escrito em voz passiva. Agora, veremos o que foi entendido pelos parcos leitores deste blog nos comentários. Desde já, estou agradecido pela leitura feita.

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