Não, os blogs não substituirão a imprensa em papel, até pelo fato de dependerem de energia elétrica fornecida na hora para serem lidos, seja em um computador daqueles, seja em um smartphone qualquer dentro de um ônibus. Se a bateria acaba, o tiozinho do lado que está com um jornal tradicional continuará lendo, enquanto o moderninho vai ter de olhar sobre o ombro. Porém, é essa conexão direta que sinto falta na imprensa tradicional. Não a vemos se atrevendo a jogar as coisas ao crivo dos leitores para receber a resposta depois. É sempre “o leitor não isso”, “o leitor não aquilo”, “você acha que o leitor vai saber?” e por aí vai. OK, o retorno para a matéria na via tradicional nem de longe terá a rapidez que haveria em um site ou um blog. Porém, acaba por forçar que o leitor, que não há como ser controlado em seu perfil, escolha uma de duas: ignorar ou ler, nem que desconheça boa parte do que está lá escrito. E é justamente o ler sem saber a coisa que torna interessante, pois força a pessoa a pesquisar. E na base da pesquisa, talvez em vez de ver apenas uma coisa, irá ver outra. E não falamos de hyperlinks. Até mesmo um volume de enciclopédia física gera essa experiência e isso por ter lido em outra fonte igualmente feita de papel. Quantos aqui podem ter conhecido mais sobre os sumérios pelo simples fato de terem lido na Bíblia que Abraão era de Ur?

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