Pode um tempo verbal ser ofensivo? É a pergunta que me assalta a cabeça nestes tempos. Já vi gente dizendo que usar o imperativo dá idéia de autoritarismo e maltrataria o leitor, como se estivéssemos falando com alguém que foi criancinha mimada e fica bravinho com qualquer coisa que não seja delicadinha. E aí, é um tal de trocar por outros tempos e nessa, tratamos gente com a cabeça no lugar como alguém que precisa ser levado pelo bracinho.

Em outros blogs, li também que está havendo uma certa perseguição à ênclise. Crê-se que ela dá um ar prepotente ao texto, mesmo que totalmente de acordo com a regra que diz que o pronome só fica antes do verbo se houver partícula atrativa. Perguntar-me-ão sobre mesóclise e a resposta não preciso dizer, ainda que esse tempo seja pouquíssimo usado e na maioria das vezes, substituído por outras construções. Mas aí é questão cultural do brasileiro.

Tenho medo do que pode vir. Já pensaram se dizer que escrever em português, e não miguxês, é demonstrativo de arrogância para com aqueles que lêem as publicações?

E será mesmo que o leitor é tão delicadinho assim ou uma nova descoberta na composição do perfil psicológico da pessoa de nome O e sobrenome Leitor é a de que ele foi criado a leite com pêra e ovomaltino, como diria o imortal Gil Brother? Será mesmo que só há crianças mimadas e que elas choramingam ao lerem verbo no imperativo e pronome depois do verbo?

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