…o capo nunca falou nada e posso escrever sobre o que quiser. Ouvimos isso em algumas entrevistas, principalmente com colunistas. E não duvido de uma palavra sequer que dizem.

Alguns virão perguntando por que confio assim tão cegamente. Respondo que confio por um simples fato: certas contratações são feitas olhando-se o conjunto de crenças do contratado.

Em alguns casos, é meio que um daqueles casais em que ambos os membros são tão hipócritas que se merecem. No caso, ambos dizendo não terem lado, serem isentos e toda aquela cantilena que não desfiarei aqui por ser mais que sabida.

Aquele a quem o capo nada fala, mesmo que escreva coisas das mais impactantes, pode acreditar, só está lá porque pensa exatamente o mesmo que o big boss. É mais ou menos como um vegetal, que por fototropismo cresce para onde a luz está, mas de maneira alguma sai do lugar onde está plantado. Você pode até girá-lo, e ele irá crescer no sentido onde a luz é abundante, pois precisa dela para viver. Mas suas raízes jamais sairão de onde ficam.

 

Até entendo a lógica de contratar tal tipo de gente. Afinal, poupa-se um trabalho para o rei da cocada preta em caso de surgir algo que vá contra os princípios reais que a empresa jornalística não declara. Pra que se preocupar com um membro-chave se ele pensa muito parecido contigo? Você sabe para onde ele vai, antevê mais ou menos o que ele fará. E, mais ainda, ilude certa parte do leitorado que crerá ser o meio em questão isento e plural. E, ainda mais, confundirá a cabeça dos que sabem não ser isso verdade, pois dificilmente atinarão para esse detalhe simples. E a demora na formulação do argumento é favorável ao lado do dono, pois dá tempo de incubar essa idéia falsa e tentar passá-la adiante.

E olha que estou confiando na melhor das fés, pois há também os do tipo “esses são meus princípios, mas dependendo da oferta que me fizer, apresento-lhe outros”.

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