Tenho um primo que também é jornalista. Nessa última vez em que ele veio para São Paulo, ele falou uma piada interessante sobre como achar os jornalistas: são sempre aqueles com roupa puída e um bloquinho na mão.

Sim, talvez nos destaquemos na multidão. Porém, se há algo que as pessoas pouco sabem é que a imprensa não faz a menor questão de cobrir é o cotidiano daquilo que ocorre nas  próprias redações.

Hoje falarei de um assunto nevrálgico para os jornalistas em geral, que é o fato de nosso pior inimigo ser outro jornalista. Somos das categorias profissionais menos unidas que existem. Vê-se nos olhos de uns e outros que no fundo, querem mais que o colega vá se foder, mesmo que este nada tenha feito nada contra o desejante de tal honraria.

Há muita gente que os de fora consideram grandes jornalistas que nós consideramos uns grandes pulhas. Há um episódio envolvendo um desses medalhões e que tomei conhecimento neste ano. Um subordinado chegou para ele falando que não conseguiu achar fulano de tal, ficou empacado na assessoria ou na secretária que continuamente falava “um minutinho, por favor”. Chegou o tal medalhão, abriu a agenda, viu o número da tal fonte e telefonou para a mesma:

– Eu falo com Fulano de Tal? Ah tá, aqui é o Medalhão. É o seguinte: Subordinado estava querendo falar contigo e não conseguiu te achar. Tem como você falar com ele agora? Tem? Peraí que já passo para ele.

E o Subordinado falou com o Fulano de Tal e fez a matéria, que foi publicada. Porém, não foi publicado que imediatamente depois de a tal matéria ter ganho as bancas, Subordinado foi demitido por Medalhão…

Já não gostava do tal Medalhão antes de ter conhecido essa história. Agora, sou capaz de cuspir no chão em que ele pisou caso o veja andando em sentido contrário e nos cruzemos. Claro que ele não terá a menor idéia de quem sou. E mais claro ainda em minha mente é pensar no que aconteceria caso algo semelhante ocorresse em uma redação na França ou mesmo nos altamente competitivos EUA…

E infelizmente, o que mais vejo é gente praticamente falando “Caramuru, Caramuru” para esse ser vivo, achando ser o mesmo de grande credibilidade…

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