Ser editor não é fácil. Falo isso porque já fui um. Por isso, a postagem é dedicada aos bambas da área.

Muitas vezes, eles têm de fazer o meio-de-campo entre os repórteres e um diretor de redação que é o dono do veículo de comunicação. E essa é posição das mais desconfortáveis. Porém, há formas e formas de se fazer algo.

Em meus trabalhos, já encontrei gente de tudo quanto é tipo nessa função. Vi editores que transformavam seu texto em lixo, assim como vi editores excelentes, que faziam a versão que saiu nas páginas ser melhor que aquela que você salvou na página de textos. Esses últimos acho simplesmente fantásticos, pois captam a essência daquela matéria e o jeito que o repórter escreve. E isso é difícil, ainda mais pensando que muitas vezes o editor está inserido em uma ditadura de microcosmo muito mais dura que qualquer ditadura macrocósmica que possa haver. Fora que em toda ditadura há os adesistas, os apáticos e os que a questionam.

Gosto dos editores serenos, pois não vestiram o estereótipo de jornalista. São daqueles que conversam contigo na maior das pazes e mesmo a mais dura bronca é aceita sem problemas e acaba tendo conteúdos úteis. São daqueles que quando estão em um raro momento de cavalgadura, acabamos por compreender, pois deve-se a algo que geralmente não diz respeito à profissão. Ele permite ver o humano que está por trás daquela cadeira e daqueles computadores em geral melhores que os do resto da redação.

E são esses os editores que também são mais refratários a pensamentos oleitorísticos. Sugira-lhes a pauta mais complicada do mundo, explicando o que é e eles são os primeiros a encampar a idéia. Mais ainda, apóiam a idéia, passam os contatos que têm e dão sugestões interessantes. Se recusam a pauta, dão motivos convincentes para tal. Nunca dirão que “o leitor não entende essas coisas”. Claro que podem ser envenenados por certas idéias de jornalistas que não sabem escrever e entrevistam aqueles que não sabem falar para aqueles que não sabem ler. Porém, relevamos isso. Afinal, todos aqui já tivemos momentos de contágio pela mediocridade alheia.

Porém, na histórica desunião de nossa profissão, os bons editores não possuem tanto contato entre eles e, portanto, não formam uma força suficiente para conter a presunção de idiotice do leitor. E nessa, sofre até mesmo o próprio editor, obrigado a tratar o leitor do jeito que falamos aqui, até porque em alguns casos, ele tem casa e família para sustentar. O dinheiro da escola do filho não pergunta se foi oriundo de matérias interessantes ou de “o leitor não sabe essas coisas”.

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