Ontem estava conversando com um taxista e calhou de ele falar sobre a Copa de 2014. Entre as coisas que ele estava falando, é a necessidade de um número grande de vagas de estacionamento específicas para a imprensa em cada estádio. Se não me engano a Fifa exige umas 3 mil vagas em cada estádio e por aí vai. Se alguém souber mais dessas exigências, corrija-me onde for necessário.

Não é preciso dizer que irão fetichizar a construção de estádios em um país já lotado deles. E, claro, muita gente vai querer essa boquinha, teremos denúncias de corrupção e por aí vai. Porém, como o foco deste blog é a maneira como o leitor é tratado, passemos à outra parte do riscado.

Vai ser o primeiro evento de grande monta no Brasil cuja audiência mundial passará dos bilhões de habitantes (e bota bilhão nisso, se pensarmos em um aumento populacional até o ano do Mundial). É também bem possível que seja a ocasião em que teremos mais jornalistas estrangeiros por aqui.

O mesmo taxista falava comigo sobre o Brasil que saiu daquela Copa, que não foi o mesmo Brasil de antes da Copa. Claro que os anos 50 também tiveram muitas outras coisas, mas talvez aquela tenha sido uma das primeiras sementes. E isso porque foi antes mesmo do segundo mandato getulista e seis anos antes de Juscelino subir ao poder.

Mudando o foco, vai ser também oportunidade de um belíssimo intercâmbio entre jornalistas do mundo inteiro. Como jornalista que sou, a frase de que jornalista anda em grupo é mais verdadeira do que nunca. Penso se ao virem para cá jornalistas de nações cujas escolas de imprensa repudiam totalmente os nossos tão comuns “o leitor não vai entender” e “você precisa presumir que o leitor não saiba nada sobre determinado assunto” e outras sentenças já manjadas, não haverá uma centelha para acabarmos com o oleitorismo no Brasil. Afinal, por aqui, quer queiramos ou não, jornalismo esportivo é espelho para outros ramos.

Vale lembrar que chegaremos daqui a sete anos com no mínimo umas três publicações mais recentes que são versões nacionais de sucessos no exterior. Uma delas já é sucesso (a Rolling Stone) e talvez as outras triunfem sobre as nacionais que insistiram em subestimar a capacidade do leitor. Porém, isso só será pouco em relação aos 30 dias que balançarão a roseira da imprensa.

 

Teremos um triunfo forte contra a imprensa que subestima a capacidade do leitor?

Fico pensando aqui sobre os vários almoços e jantares juntos entre jornalistas brasileiros e estrangeiros. As várias trocas de materiais de imprensa. As baladas e por aí vai. Arrisco-me a dizer que uma forte fonte de influência será o jornalismo inglês, que tem como marcas fortes momentos de humor tipicamente inglês. Talvez o americano vá ter alguma influência, mas acho menor. O jornalismo espanhol, creio, vá dar um plá forte, pois surpreende ver que por lá há uma imprensa mais solta, ousada e que não subestima a capacidade do leitor.

Claro que há também a possibilidade de tudo continuar do jeito que está, mas paremos para lembrar que a maioria dos jornalistas que cobrirão a Copa serão estrangeiros. E muitas vezes o olhar do estrangeiro é mais certeiro que o dos locais que estão tão acostumados a verem “o leitor isso” e “o leitor aquilo”…

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