Oleitor da Silva Guedes. Tem 40 anos, mas depois de tantos anos de trabalho duro, aparenta mais idade. Seu nome é estranho, mas tem uma explicação. “Minha mãe era Olívia e meu pai era Heitor. Lá na roça tem essas coisas de juntar nome”, diz.
A equipe do blog entra em sua casa e logo é bem recebida com um café delicioso. Conversamos com Oleitor e vemos que ele é bem atualizado com aquilo que vem acontecendo no mundo. E ele também se revela atento acompanhador daquilo que a mídia vem produzindo, como será visto daqui em diante:

O leitor, esse idiota: Qual foi seu primeiro contato com a imprensa?

Oleitor: Rapaz, foi quando eu estava na primeira série. A professora pediu aos alunos que recortassem palavras e letras para exercitarmos o português. (risos)

OLEI: E o que aprendeu nesse primeiro momento?

Oleitor: Aprendi que os jornais e as revistas são bonitos, cheios de letras. Como é que conseguem pôr as palavras tão encaixadinhas?

OLEI: Que nem uma escultura?

Oleitor: Desculpe, seu moço, não sei o que é isso…

OLEI: É aquela arte de pegar uma pedra e ir batendo nela até ficar com uma forma.

Oleitor: Ah tá, entendi. É como aquela estátua que tem na avenida Rio Branco?

OLEI: A do Duque de Caxias?

Oleitor: Não sei quem é aquele cara. Só sei que as pombas cagam nele todo dia (risos)

OLEI: E aquilo não é escultura, mas sim trabalho em metal. Foi feito com várias peças separadas e soldadas…

Oleitor: Ah tá, de solda eu entendo… mas não é escultura mesmo?

OLEI: Não. Escultura envolve pegar uma pedra bruta. Tá vendo essa panela da sua cozinha?

Oleitor: Estou vendo. Comprei em Minas. Faz uma comida boa…

OLEI: Ela é de pedra-sabão…

Oleitor: Ué, mas se é pedra, como pode ser sabão?

OLEI: É o tipo de pedra, assim como diamante é um tipo de pedra.

Oleitor: Ah tá, diamante. Foi o que o Zé, meu cunhado, foi procurar lá em Serra Pelada…

OLEI: Não seria ouro?

Oleitor: Ah, é, me esqueci.

OLEI: Mas mudando de assunto, o que você acha da imprensa brasileira?

Oleitor: Ah, gosto dela. Ela mete o dedo na sujeira do Brasil. Esses repórteres estão ótimos.

OLEI: E a qualidade do texto?

Oleitor: Gosto dos textos. Me explicam tudinho e nem preciso ficar pensando.

OLEI: Algo que te explicaram e que você não sabia?

Oleitor: Claro. Graças aos jornais e às revistas, agora eu sei que Pelé jogou futebol.

OLEI: E não sabia, mesmo morando em um município?

Oleitor: Não sabia. Achava que ele era só namorado da Xuxa.

OLEI: Isso já foi há uns 20 anos.

Oleitor: Ah é, verdade. Eu era menino quando isso aconteceu.

OLEI: Se bem que pela sua idade, você chegou a ver o Pelé jogar.

Oleitor: Ver não, pois não tinha televisão em casa. A gente era muito simples.

OLEI: Nem rádio?

Oleitor: Tinha, mas não pegava. E lá no meio da roça a gente não tinha muito acesso a essas coisas da cidade grande.

OLEI: Mas nem quando iam à cidade ouviam falar do Pelé?

Oleitor: Ouvir, ouvia, mas achava que o pessoal ficava falando “qualé, qualé?”.

OLEI: Voltando ao assunto da entrevista, diga-nos de que jornalistas você gosta mais.

Oleitor: Ah, eu gosto muito daquele rapaz, o Diego Maisnada. Jornalista (sic) bom aquele lá.

OLEI: Pode nos explicar os motivos?

Oleitor: Ah, é que ele mete o dedo na ferida. Fala sem dó.

OLEI: Mas ele não vem acusando umas pessoas sem prova?

Oleitor: Não importa. Se é acusado, é porque fez safadeza. Vê esse padre aí, o Júlio Lancelotti. Você não duvida que ele andou abusando de crianças?

OLEI: Bom, só acreditarei que aconteceu algo se houver provas consistentes. Vale lembrar que o cara que o vem achacando é bandidão brabo.

Oleitor: Mas não importa. Você não acha que quem é acusado é porque deve?

OLEI: Acredito que já houve muitas vezes em que a imprensa foi carrasco.

Oleitor: O que é carrasco?

OLEI: É aquele cara que aplica uma pena de morte. Mas voltando ao assunto, você não se lembra dos casos Escola Base e Ibsen Pinheiro? Ambos eram inocentes das acusações e tiveram suas vidas destruídas.

Oleitor: Ibsen não foi aquele cara que relatou o impeachment do Collor?

OLEI: Não. Aquele foi o Amir Lando. O Ibsen era o presidente da Câmara dos Deputados naquela época.

Oleitor: Ah é. Então, acho que o Ibsen fez por merecer. Político nenhum presta.

OLEI: E isso não é algo que os políticos que não prestam querem mais que todos falem, para que que sejam vistos da mesma maneira que pessoas honestas?

Oleitor: Não se engane, seu moço. Político nenhum presta. Todo dia vejo no jornal escândalos e mais escândalos.

OLEI: E quantos desses são comprovados?

Oleitor: Não importa. Se tem fumaça, é porque tem fogo.

OLEI: Se bem que gelo seco solta fumaça.

Oleitor: Como assim gelo seco? Gelo é água, meu caro. Ou é gelo, ou é seco. E fumaça quem solta é fogo…

OLEI: OK, mas voltando ao assunto, nem mesmo o Eduardo Suplicy presta?

Oleitor: O Suplicy? Ele não é o Mogadon, que Paulo Francis disse ter ficado nu na Suíça?

OLEI: Acusações que não foram comprovadas e renderam processo do senador contra o Francis.

Oleitor: Não importa. Francis é gênio e pronto.

OLEI: Mesmo sabendo que ele plagiou um monte e olharia para alguém como você com total desprezo?

Oleitor: Mas é que a gente do povo é preguiçosa mesmo.

OLEI: E o senhor também é?

Oleitor: Eu não. O que tenho, que é pouco, foi com o suor de meu rosto.

OLEI: E o senhor não é do povo?

Oleitor: Claro. Mas sou trabalhador.

OLEI: E por que gosta do Paulo Francis?

Oleitor: (silêncio) É que ele falava sem dó e sem dor de tudo e todos…

OLEI: Bom, sugerirei que leia o livro do Fernando Jorge. Mas mudando de assunto, quais são seus programas prediletos na TV?

Oleitor: Ah, é o Big Brother. Também gosto do João Kleber.

OLEI: E o que e atrai nesses programas?

Oleitor: Ah, é que no dia seguinte, converso com o pessoal a respeito.

OLEI: E com a TV digital e de alta definição, o que você espera?

Oleitor: Digital? Mas digital não é coisa só de relógio? E o que é essa alta definição?

OLEI: É uma transmissão com 1.080 X 720 linhas, com alta qualidade de imagem.

Oleitor: Aliás, falando em imagem, preciso trocar o bombril da antena daqui a pouco. Mas 1.080 linhas? Onde está o carretel?

OLEI: Não, não são linhas de tecido. Finalizando nossa entrevista, o que você tem mais a dizer?

Oleitor: Ah, quero dizer o seguinte: eu não existo, nunca existi e sou fruto da imaginação do autor do blog. Se quiserem chamar o autor de esquizofrênico, fiquem à vontade. O mesmo vale para chamar de dono da verdade, falar que tem o ego inflado e por aí vai.

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