Não duvido aqui que muitos estejam estranhando o termo oleitorismo. Porém, vale lembrar que o idioma que falamos, ainda que mais refratário a neologismo que o inglês, dá margem a criarmos algumas palavras. Preferencialmente são as que envolvam radicais conhecidos, mas que nunca foram usados juntos.

Exemplo disso? “Solucionática”, que tanto Dadá Maravilha luta para que seja inclusa em dicionário. Lembremos que “problemática” significa “conjunto de problemas relacionados a um determinado assunto”. A lógica da construção dessa palavra é sensacional, pois dá margem a várias soluções para um mesmo problema, o que de fato existe.

Eles diziam “queremos Getúlio” e foram chamados de queremistas. Já as redações dizem “o leitor isso”, “o leitor aquilo” e de tanto “o leitor” e tanto ele ser tratado como idiota, acabam dando margem ao oleitorismo

Porém, “oleitorismo” é algo que vai mais na linha de “queremismo”. Aquele movimento foi conhecido assim porque seus integrantes tinham como lema “queremos Getúlio”. Oleitorismo é diferente, pois é um conjunto de frases envolvendo “o leitor”, “nosso leitor” ou mesmo expedientes mediocrizantes como “toda a informação tem de ficar nos primeiros parágrafos”, mais outras tantas variáveis já conhecidas. Logo, é algo que sintetiza o manifesto contra uma imprensa medíocre e contra uma série de precarizações que impuseram ao jornalista, que se refletem na qualidade do texto mas parece que não estão nem aí.

É palavra que embute em seu significado a força que a internet vem ganhando no geral da aquisição da notícia e nos olhos de leitores que vêm sendo abertos para textos que não os tratem como idiotas. É a revolta do leitor que cansou de ser encaixado em um perfil e que vê o quanto isso restringe pautas interessantes. É a reação ao preconceito de que pobre não pode ler texto que saia das formulinhas batidas. E a revolta geral contra a subestimação das capacidades intelectual, de raciocínio e de leitura de quem adquire informação.

O oleitorismo, até por ser termo criado por jornalista, também reflete a indignação contra certas coisas que vemos nas redações e contra as quais somos impotentes para mudar, uma vez que vindas de esferas superiores ou talvez nem tão superiores e que nem a esfera mais superior sabe que está ocorrendo assim. É reação contra a arrogância dos meios, que ainda se acham portadores de um conhecimento que ninguém mais possui e que por isso, precisam até explicar aquilo de mais simples lá embutido.

O significado de oleitorismo também está aberto a acréscimos, uma vez que são tantos os episódios que envolvem a subestimação das capacidades do leitor que não caberia fechar o verbete.

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