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o moçoilo acima retratado já causa já causa mal-estar em gente de altas esferas desde o tempo de um simples jornalzinho de colégio. Senhoras e senhores, apresento-lhes David McSwane.

Quando editor de jornal de colégio e apenas 17 anos de idade, ele se passou por interessado no alistamento nas forças armadas americanas. Ele foi lá e disse não ter o segundo grau e ser viciado em maconha. Sem problema, disseram-lhe os recrutadores. Bastava falsificar um diploma e usar um kit de desintoxicação que logo passaria rapidinho e estaria apto a dar uns tiros no Iraque. Vale lembrar que os recrutadores ganhavam bônus pelo número de jovens conscritos.

Para conseguir os depoimentos, ele contou com a ajuda da irmã, que fotografava e, para as filmagens, de um amigo. E tudo isso foi mais que suficiente para causar comoção no Pentágono e gerar uma suspensão nos recrutamentos para fins de revisão. E mais que suficiente para David ganhar os prêmios da Investigative Reporter and Editors (IRE) e do Peabody, esse último em parceria com a rede de TV CBS, que fez matéria baseada em suas investigações.

Agora, o rapaz está com uma nova polêmica, já com 20 anos e editor-chefe do Rocky Mountain Collegian, jornal da Universidade Estadual do Colorado:

Lembra-lhes a caretice da imprensa brasileira? Não vejo algo contundente como isso desde a capa toda preta do JT que, sem palavra alguma, dizia muito mais contra a ditadura do que qualquer escrito que lá pudesse haver além dos de praxe.

E desta vez, ele provocou polêmica dentro da própria universidade. Foram 500 assinaturas coletadas pelos alunos republicanos pedindo para que ele fosse destituído do cargo, mas mais de 700 coletadas pela colega Kris Hite a favor de David. O editorial tão curto e contundente foi feito em resposta ao ocorrido na Flórida, em que um estudante foi vítima de um taser (arma não-letal elétrica, que aplica um choque fortíssimo) por tentar fazer perguntas ao senador democrata John Kerry, perguntas essas que desagradaram os organizadores do evento. Vale lembrar que a Flórida é reduto bushista nos EUA…

Segundo David, o editorial foi feito para que os colegas fossem tirados da pasmaceira e acordassem para a política. E, pelo visto, acordou bem. Porém, sempre devemos deixar claro que o editorial não foi decisão unilateral do rapaz em questão, mas do conselho editorial do jornal. Portanto, a responsabilidade deve ser diluída.

A atitude causou hostilidades da CBS em relação a ele. Vale lembrar que foi com as informações que ele conseguiu no recrutamento que a emissora fez uma matéria a respeito das fraudes. Porém, há gente que apóia sua atitude, como o jornalista Michael Roberts. Fora isso, há também uma perda de anunciantes no Collegian estimada entre US$ 30 mil a US$ 50 mil. Sim, tanto aqui quanto lá, polêmicas são poderosos removedores de publicidade. Fora isso, o tal jornal universitário provocou polêmica em todos os Estados Unidos, a ponto de ter gente que afirmou que irá boicotar turismo no Colorado por causa do tal editorial.

Não sou adepto desse tipo de enfrentamento, que para mim fica mais na base da polêmica pela polêmica, ainda que não tire a razão do protesto contra o uso de taser em alguém que simplesmente fez perguntas. Creio que haveria outras possibilidades. Porém, o mais importante de tudo é que o cara já está fazendo diferença. Quem quiser mais informação a respeito do cara, pode ver em Na Média uma postagem bem interessante.

Quem ler o texto Buck Fush notará inclusive uma frase interessante sobre a alegação da CBS de que não tinha nada a ver com o episódio, mesmo o cara tendo trabalhado lá: “Se uma coisa não tem a ver com a outra? Claro que tem, porque dá ao consumidor de notícias o máximo de informação possível, em vez de tratá-lo como uma criança incapaz de pôr os detalhes em perspectiva”. Alguma semelhança com a imprensa brasileira pode ser vista nessa declaração?

E será que os 41,63 candidatos cobiçando uma vaga na Fuvest terão capacidade de fazer algo tão relevante ainda antes de pegar o canudo e ir para a imprensa profissional? Ou será que tentarão novamente reproduzir aquilo que até minha avó de 98 anos sabe ser batido?

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