Fui neste sábado a esse encontro, que está acontecendo no Memorial da América Latina. Chego lá com o primeiro evento começado, mas ainda a tempo de ouvir Mauro Santayana falando de seus tempos de cobertura da guerra da independência do Marrocos, da entrevista com Garrincha. Falou também do sofrimento que teve na época da ditadura, mas o fato de não querer indenização do estado por causa daqueles ocorridos. E também disse uma interessante: “você tem de fazer o leitor ter prazer em ler aquilo que escreve. Tem de dar um ligeiro barato”.

Também houve o Zuenir Ventura, excelente. Um debate que gostei foi o com Eric Nepomuceno, Antônio Torres e Flávio Tavares. Gostei em especial do Eric. Ele, até por estar fora do jornalismo, desceu a lenha legal na imprensa brasileira, na falta absoluta de ousadia, etc.

Houve o reconforto de ver Ziraldo, menino maluquinho de 75 anos. Falava ele de idéias para estímulo à leitura no Brasil, mais outras tantas que veio tendo. Falou também do sucesso que ganhou escrevendo livros para as crianças. E falou uma frase interessante, do Millôr: “escreva para seu leitor mais inteligente”. Emendou com isso a história de que se uma criança não sabe algo, imediatamente pergunta aos pais ou vai pesquisar por si própria. Engraçado como as nossas tão adultas matérias não fazem o mesmo com o leitor, forçando-o a sair de sua zona de conforto. Já pararam para pensar que se uma criança se sente tratada como idiota, imediatamente se afasta de quem a trata assim? Será mesmo que os meninos que cresceram, independente ou não de lerem Ziraldo, também fizeram a mesma coisa com os meios de comunicação tradicionais?

Por fim, houve o debate sobre a revista Realidade, com Mylton Severiano, José Hamilton Ribeiro e Ignácio de Loyola Brandão. Vale lembrar que a revista fazia “new journalism” antes de essa onda estourar nos EUA e os colonizados mentais se perguntarem por que ninguém fazia algo parecido por aqui. É mais ou menos como as pessoas que se surpreenderam com os primeiros raps americanos que aqui chegaram e não deixaram que pense, que diga e que fale. Hamilton Ribeiro também falava da época do copidesque, que pegava uma matéria, esquartejava-a e deixava-a uniforme com outras, passando a impressão de que todo um jornal tinha sido escrito pela mesma pessoa. E falou também sobre os copidesques e editores da Realidade, que respeitavam o estilo de escrita de cada jornalista e, mais ainda, muitas vezes melhoravam o texto do cara…

Enfim, uma ocasião daquelas que não esquecerei tão cedo. Foi uma oxigenada daquelas nas minhas idéias. Domingo é o último dia e terá gente boa, como Caco Barcellos e Mino Carta… vale a pena ir…

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