Para muitos, irá surpreender eu falar justamente sobre alguém que trabalha na Globo, emissora que para alguns de nossos leitores, é das mais oleitoristas (ou otelespectadorísticas), porém, é de lá que vem uma matéria que é simplesmente genial, do colega Marcos Uchôa.

O assunto é meio buraco-de-rua, mas a maneira como ele abordou foi daquelas que qualquer um pensaria “como não fiz isso antes?”. Porém, ele fez, e antes de todo mundo.

Já que estamos falando do Marcos Uchôa, temos de falar do texto da reportagem, excelente. Seguem os trechos:

“É nessa hora que se entende melhor a expressão ‘você não tem vergonha na cara?’. Todos temos e dói mostrá-la na praça pública dos meios de comunicação.

‘Por favor, pára!’, diz a acusada ao ser filmada.”

“Leila recebia por tal confiança R$ 650 e tudo o que você não pode comprar com esse dinheiro estava ali. Televisões, computadores , porque não comprar logo uma loja? Foi o que ela fez. E não economizou. No total foram: uma loja, três terrenos, dois carros, seis apartamentos!” (Detalhe: o câmera mostrando uma loja cheia de televisores LCD que custam mesmo os olhos da cara).

“A empregada e acusada de ter roubado da patroa bens que possibilitaram que ela acumulasse um patrimônio de R$ 300 mil. Uma das últimas coisas que ela comprou foi uma arma, um revólver calibre 32, com certeza para se proteger, afinal o Rio anda muito inseguro”

“Numa livraria pertinho do prédio onde trabalhou, ela poderia ter visto três livros com mulheres na capa, que mostram que o medo dela deveria ter sido outro. Leila foi infiel, duas caras e agora, está desonrada.” (o plano de imagem mostra os livros: “Infiel”, “Vida Dupla” e “Desonrada”)

Marcos Uchôa informou perfeitamente e, mais ainda, trouxe atenção ao texto. Em nenhum momento caiu em denuncismo, uma vez que o lance da tal empregada era perfeitamente rastreável e a polícia há muito devia estar na cola dela ao comparar o que ganhava e o que tinha. Usou de sutilezas textuais tão bem feitas que qualquer um, independente de quem fosse, saberia muito bem sobre o  que ele estava dizendo. E o Homer Simpson sentiu-se tratado como aquilo que é: gente pensante. Parabéns, colega…

Anúncios