Como já disse aqui outras vezes, não sou contra manuais de redação, desde que feitos de maneira racional. Porém, uma coisa que qualquer manual de redação gera é o manual além do manual, em que as pessoas querem ser mais realistas que o rei.

Um exemplo disso é caso que por muitos anos assaltou O Estado de S. Paulo. Sabe-se lá porque, as pessoas passaram a escrever Nato em vez de Otan, que vem a ser a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, da qual, por sinal, Portugal faz parte como membro fundador. Diziam que era porque “o doutor Júlio Mesquita queria isso”. E muitos Natos foram para as páginas do diário paulistano.

A coisa foi seguindo assim, até o dia em que alguém perguntou ao próprio Julinho sobre isso, ao que ele respondeu que nunca falou para as pessoas escreverem Nato. Desde então, foi apenas Otan. Não duvido que até o próprio Júlio tenha se surpreendido com essa bizarrice que pipocou na redação. Claro que foi uma bizarrice que em nada afetava a notícia, mas que incrivelmente persistiu por um belo tempo. É algo como o boato, que surge sabe-se lá de onde.

E não duvido que outros jornalistas aqui tenham histórias de bizarrices assemelhadas que possam contar. E talvez essas bizarrices textuais multipliquem-se ainda mais naqueles lugares em que não há um manual formal.

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