Antes de tudo, leia este texto antes de ler este. Leu? OK, podemos então começar a falar por aqui.

Como podem ver, Luciano Martins Costa desce a lenha na imprensa brasileira como um todo. Não fala nomes dos faltosos, até por saber que é fenômeno generalizado nas redações locais.

Observem um detalhe importante: o site de um movimento, que tem obrigatoriamente um viés mais tendencioso, uma vez que precisa defender uma tese, fala de um assunto com mais detalhes e profundidade do que a imprensa brasileira em geral. Sim, isso mesmo que estão lendo: se estão querendo ler algo interessante, terão de se dirigir a vieses teoricamente viciados na origem, pois estes são mais inteligentes que os supostamente isentos e que vêem os muitos lados da questão. E isso é problemático.

Assim como boa parte de nossos jornalistas têm cabecinha de linotipo e insiste em usar pirâmide invertida nos tempos da composição eletrõnica, a imprensa em si não avançou no debate dos assuntos mais corriqueiros, envolvendo ou não política.

O cara fala de coisas interessantes, como a obsolescência dos discursos direita X esquerda e do quão reféns ficam os leitores que querem debater e não conseguem aprofundar um assunto.

O cara versa sobre vários assuntos, como a caixa-preta do sistema bancário da Suíça e a ação de estado que transformou Espanha e Portugal em países de Primeiro Mundo e a não-comparação que a imprensa pratica quando o assunto é falar de ações parecidas na América do Sul. Não entrarei aqui em méritos políticos, até porque este blog fala sobre a postura da imprensa em relação às capacidades do leitor. Deixarei que os que analisam a imprensa sobre o viés político façam essa parte, pois creio que farão melhor que eu.

Analisando sob a ótica deste blog, posso falar sobre os tais textos superficiais, não só sobre assuntos do dia-a-dia, mas também na imprensa especializada. Na automotiva, quando se ouve de jornalistas que “o leitor nem sabe quais as rodas que tracionam determinado carro”, isso é ser superficial. E quem perde, se não o leitor, que não terá substratos adequados?

“Ah, mas o leitor não entende essas coisas. Imagina se eu vou pôr um professor da USP na minha matéria? O cara vai falar um monte de coisa complicada e a maioria não vai entender nada” cai na mesma esparrela. Dá para se falar do buraco na rua, sim, mas se você falar que buracos na rua são causados da base sobre a qual o asfalto é aplicado, você está aprofundando adequadamente. Se você mostra a comparação da vida média do asfalto na Europa (40 anos) com a do Brasil (10 anos) e que lá na Europa usam mais camadas de areia e brita antes de pôr o pretinho propriamente dito, você está se aprofundando no assunto. E todo mundo entende direitinho que mais camadas significam mais proteção contra intempéries. Senão, ninguém mais caprichoso daria duas ou três demãos de tinta em uma parede, pois seriam absolutamente desnecessárias.

Por isso, não duvido mesmo que o superficialismo na imprensa brasileira esteja ligado diretamente ao fato de ela não se aprofundar nos assuntos. Pare para pensar agora em quantos textos no seu jornal ou revista preferido te prendem realmente a atenção, uma vez que foram feitos de uma forma diferente e ao mesmo tempo envolvente. Quer um minuto para pensar? 60, 59, 58… Pensou agora? Agora diga-me um texto que você se lembra e que está escrito em pirâmide invertida ou efeito champanhe. É só ir no bate-pronto e pousar o dedo em qualquer página, seja física, seja de internet, pois é uma porrada deles.

E um texto bem escrito também estimula a inteligência do leitor. Ele pode até não entender em um primeiro momento, dependendo do assunto. Motivos para celeuma e falar que não se pode escrever nada por ele não entender? Não, até porque cada leitor é um, com um conjunto de fortes e fracos diferentes. Porém, se o assunto interessou ao cara por estar em um texto bem escrito, ele fará questão de ler de novo. E até reler mais outras tantas vezes no mesmo dia. Porém, o texto bem escrito o capturou. E não é uma isca industrializada que tem de ser criada de uma maneira padronizada porque é daquele jeito que uma determinada espécie de peixe vê. Estamos falando de gente. E gente gosta quando nota que se pôs um talento em cima. E é o talento em cima que também puxa gente para um determinado assunto.

Sim, o leitor entende até mesmo o que é a teoria das cordas espaciais e a matéria escura que domina o universo. E também se interessa muito sobre ela. Basta escrever de maneira que o prenda àquelas linhas em um espaço predeterminado. E durante essa prisão, você o vai informando de maneira a ele nunca mais esquecer…

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