Realmente sou obrigado a concordar com o Luciano Martins Costa mais uma vez, como dá para ver neste artigo no Observatório. Seguem abaixo algumas frases importantes:

“Se os editores não movem seus corpinhos para fora das redações, em busca do conhecimento onde ele se manifesta, seguiremos tendo que encarar reportagens levianas, embasadas em crendices e preconceitos.”

“Limitados ao trajeto entre suas casas e as redações, os editores ficam longe dos lugares onde a inteligência se manifesta. Como se tivessem que carregar um fardo pesado nos glúteos, preferem o conforto de suas cadeiras às platéias dos eventos onde o Brasil ainda se pensa. Sempre se pode dizer que a agenda dos editores é complicada, que falta tempo até para conciliar a vida profissional com a necessidade de dar atenção à família. Mas a agenda se torna mais flexível em outras ocasiões, muito especialmente no final do ano, quando as grandes empresas promovem jantares e almoços regados a vinho de qualidade, com direito ao tradicional jabaculê na saída.

Na mesma semana em que se realizava o debate na Fiesp, muitos editores e colunistas foram vistos em alegres confraternizações com executivos de empresas anunciantes, onde tinham que suportar algumas maçantes apresentações sobre resultados financeiros e ações filantrópicas, em nome do bom relacionamento. Claro que relacionamento faz parte, mas não é tudo. Nem só de jabá viverá o jornalismo.”

E isso porque estamos falando de uma coisa importante, que são os mais de 40 milhões de processos para pouco mais de 14 mil juízes. E também as 2,6 milhões de leis que existem neste país e permitem interpretações das mais diversas. Costumo brincar com o pessoal dizendo que, dependendo de quanto um determinado advogado receber de seu cliente, ele consegue até mesmo provar que a Constituição é inconstitucional, baseado na própria Carta Magna.

Pois é, gente, quantas notícias capazes de mudar muita coisa para melhor estamos perdendo por causa dessa insistência em não querer deixar os jornalistas irem ao encontro da notícia sem um telefone criando dificuldades para vender facilidades? Apenas serei obrigado a discordar do Luciano em uma coisa: paira a espada de Dâmocles da demissão sobre o jornalista que quiser ir à rua. Aliás, é o perigo da demissão que emperra o jornalismo brasileiro, por melhor vontade que tenham os jornalistas. Sim, isso mesmo que lêem.

É algo de que se esquecem os jornalistas que consideram seu ofício algo assemelhado ao de escultores, filósofos e artistas em geral, e não uma profissão regulamentada. E é esse tipo de mentalidade que vai continuar estimulando o embutimento…

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