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Fujo totalmente ao tema do blog, mas por motivo mais do que justo, uma vez que nossos compatriotas catarinenses estão sofrendo (e bota sofrimento nisso) com as enchentes. Milhares de desabrigados precisam da ajuda de todos nós e os parcos leitores daqui podem ser catarinenses ou ter parentes lá.

Passo-lhes uma série de números de contas especialmente feitas para essa ocasião. Infelizmente, como sabemos, há muitos golpistas nessa ocasião trágica e até mesmo a Defesa Civil daquele estado já alertou. Na hora em que estiverem fazendo a transferência, tem de constar na tela “Fundo de Defesa Civil de Santa Catarina”. Seguem os números:

Besc:
Agência: 0680
Conta corrente: 80.000-0

Banco do Brasil:
Agência: 3582-3
Conta corrente: 80.000-7

Bradesco:
Agência: 0348-4
Conta corrente: 160.000-1

Caixa Econômica Federal:
Agência: 1277
Operação 006
Conta corrente: 80.000-8

Quem preferir fazer doações em produtos físicos, segue a lista do que é mais necessário. Há alguns lugares onde entregar os donativos, como as sedes da Funasa. As lojas da grife Cavalera também estão recebendo donativos, a serem entregues até o dia 7/12. Se os colegas que lêem esta postagem souberem de mais endereços, pedirei que os ponham nos comentários.

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Saio um pouco da tônica habitual do blog para alertá-los de mais uma restrição à liberdade de expressão (e aqui é restrição mesmo, não malandro querendo usar esse conceito para passar recibo de suas maldades).

Mais uma vez, por causa de um blog, querem bloquear todo o acesso ao WordPress, onde este e mais uma porrada de outros blogs é hospedada. O que ocorre é que há uma decisão judicial, da 31ª Vara Civil de São Paulo, contra um blog aqui sediado. E nessa, não há como bloquear o acesso a apenas um blog, mas sim ao site inteiro.

Tudo bem que a Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet) já passou um comunicado ao juiz falando do que aconteceria e que o ideal é falar ao próprio WordPress. Se bem que o pior de tudo é ver que até agora não sabemos qual o blog. Quer dizer, até se soube qual era, mas eu soube do acontecido depois de o Pedro Doria ter retirado o nome do dito cujo. Pelo que li a respeito, envolvia uma garota flagrada em umas cenas mais quentes, mas que não chegaram àquilo que gerou uma fúria contra a Daniella Cicarelli.

Há a questão da privacidade e do problema que os trolls e stalkers representam à internet. Porém, eu e outros que sediam seu blog no WordPress sentimo-nos condenados em um processo no qual sequer nos é facultado o acesso aos autos.

Vale lembrar que o vídeo ofensivo ao tal desconhecido em questão já foi retirado do ar pelo YouTube, mas mesmo assim, continua o tal blog no ar, que eu não sei qual é. Pelo que o Pedro Doria disse, o título do mesmo envolvia o nome da vítima e, portanto, fez por bem de tirar o nome do ar, o que concordo.

E nessa, há um belíssimo risco de todos ficarem sem acesso a este e outros blogs, por causa de uma decisão judicial mal orientada. A sugestão que dou a todos, caso isso ocorra, é a de usarem um bom webproxy, preferencialmente de alto anonimato (que não grava IP ou outros identificadores). Assim, poderão ver aqui e outros sites do WordPress, sem que o resto de suas navegações fique comprometido pela lentidão que um proxy tende a causar. E, claro, não terão como rastreá-los. Pode ser que, por causa da CPI da Pedofilia, e da relutância do Google em liberar o acesso aos 3 mil e poucos álbuns de pedófilos que usam o site azulzinho para suas safadezas, essa manobra poderá ser necessária lá também, uma vez que poderia haver risco de o acesso ao Orkut ser proibido para brasileiros.

Quem quiser saber mais sob a luz da lei, pode ler esta postagem que é muito boa.

Ontem, estava assistindo ao primeiro capítulo da nova minissérie da Globo e houve uma cena que, para mim, disse tudo: foi aquela hora em Tito, Ivan e Paulo estão juntos na redação.

Sendo a história ambientada em 1989, nada mais natural que a redação fosse tomada por máquinas de escrever, principalmente se pensarmos que o lugar em questão era o inferno na Terra. Porém, quem fosse jornalista via muitas coisas que não mudaram muito em quase 20 anos.

Tito é repórter e trabalha em uma revista masculina beeeeeem chinfrim. Além de repórter, acumula o cargo de produtor. Comunista roxo, odeia o trabalho de fazer triagem das mulheres que irão posar, algo previsível dentro do conjunto de crenças que o permeia. Nicola, o dono da revista diz que cem pessoas fariam o trabalho de selecionar as fotografadas de graça e pergunta se Tito é bicha. Ao que Tito responde ser comunista. Aqui, até como uma alegoria de impactos recentes do fim da ditadura, o tal dono da revista (chamada Sexus), que teoricamente estaria do lado da liberdade de imprensa e de expressão, tem uma foto do general Médici na sala. Assim como comunistas de raiz ficaram bem raros da queda do Muro para cá.

Chega o tal cara e conversa com Ivan, o editor, a respeito do especial de Natal da revista. Falam de fazer uma capa toda branca. Até aí, morreu Neves, mas o motivo é justamente lembrar da palavra do sobrenome que citei agora pouco, mas no singular. Ao que prontamente respondem que no Brasil não neva no Natal. Nicola diz que essa é uma imagem que os Estados Unidos popularizaram no imaginário do mundo. Ele logo é retrucado pelo fato de que Natal com neve é coisa normal no Hemisfério Norte, mas não no Sul. A resposta é bem típica: “e você acha que nosso leitor sabe onde ficam os Estados Unidos?”.

Tudo bem que revistas masculinas, ainda mais de cunho pornográfico como a tal publicação sugeriu ser, não são a fonte de consulta que uma pessoa usaria para ter informações. Em 1989, as mais prováveis seriam revistas informativas, jornal, atlas ou enciclopédia. E não é no Brasil onde as pessoas apontam para a Austrália quando lhes perguntam onde fica o Irã.

Provavelmente, quem viu Nicola falar sobre o leitor deve ter dado um riso, pois a cena de fato tem seu humor. Para quem for jornalista, é o famoso “seria cômico se não fosse trágico”, pois continuamos a ouvir exatamente isso, quase duas décadas depois, e em uma sociedade com internet, GPS, Google Earth e mais um monte de coisas. Também continuamos a ver um bocado de Nicolas dando as cartas. E também vários (e bota vários nisso) Ivans, Titos e Paulos.

Não precisa ser uma revistazinha chinfrim com cunho pornográfico, mas muitos daqueles tidos como “o leitor” são atraídos pelo apelo aos baixos instintos e vão ficando nas publicações que querem mais que ele se dane não sem antes dar seu dinheiro ou audiência. Muitas são as Sexus em que os colegas trabalham.

O mundo mudou muito de 1989 para cá. E o jornalismo, mais sua relação com o leitor? OK, tivemos uma porrada de danças de cadeiras, mas falo dos ambientes de trabalho. E também da postura dos colegas frente certas coisas. Quem é o jornalista hoje?

É o que desejo a todos os parcos leitores deste blog. Que neste ano, meus colegas jornalistas combatam o preconceito interior de achar que o leitor é um cretino. Que os leitores da imprensa em geral também se façam ser mais ouvidos exigindo que não sejam tratados como incapazes. Que os títulos não sejam óbvios. Que os textos não sejam arrastados pela pretensão idiota de querer achar que conseguirão superar a obtusidade de alguns leitores. Que esses leitores obtusos façam coisas mais úteis do que enviar cartas e e-mails de monte para as redações. Que os meios que tratam o leitor como ser racional ganhem espaço.

No ambiente jornalístico em geral, desejo que as redações sejam mais agradáveis para trabalhar. Que aquelas que são infernos na terra deixem de existir ou se repaginem. Que o jornalista se recuse a trabalhar nelas. Que a competência profissional seja o critério para contratação, e não a panelinha ou outras coisas mais escusas ainda. Que a mídia partidarizada se assuma como tal, em vez de ficar posando de imparcial. Que jornalistas não sejam perseguidos por suas opiniões. Que jornalistas não sejam perseguidos por seus colegas de profissão por causa de suas opiniões. Que os salários sejam mais dignos. Que o jornalista pare de se achar algo assemelhado a escritor, filósofo ou poeta e passe a se reconhecer como um profissional de ofício regulamentado, enterrando de vez seus devaneios auto-alienantes.

Aos leitores, muita paz. Que consigam realizar seus sonhos. Que as mulheres mostrem para as publicações que lêem que não são fúteis ninfomaníacas como querem supor. Que os leitores de meios especializados mostrem que, sim, se importam com o detalhamento da informação e que só estão consumindo coisa ruim porque é a que insistem em lhes oferecer. Enfim, são meus desejos.

 

Alguns chamam o cantor Odair José de repórter musical. O motivo não é mais justo: o cara sabe dar voz em suas canções a pessoas que jamais a teriam ou a tiveram. E também desnudava uma realidade que a censura e o próprio povo insistia em esconder. Era useiro e vezeiro da linguagem de fresta, principalmente em uma época em que a censura era não só política como moral. Sim, para os milicos, não existia oficialmente aquele lance de o casal fazer “bobiça” atrás da igreja. E, claro, como bem sabemos, o ouvinte de suas canções nada sabia do que ele queria dizer com aquelas letras que não mencionavam o que ele queria dizer…

Depois de Gonçalves Dias, ele é o homenageado do blog para mostrar o que aconteceria se ele fosse jornalista na imprensa brasileira de hoje.

Olha… A primeira vez que eu estive aqui
Foi só pra me distrair (aqui onde? Favor especificar aonde o declarante foi)
Eu vim em busca do amor (se ele veio para se distrair, como ele pôde ter vindo em busca do amor? O leitor não acredita em amor de balada…)
Olha..
Foi então que eu te conheci
Naquela noite fria
Em seus braços
meus problemas esqueci (abraçou? Consolou? Trepou? Favor especificar. Nosso leitor não tem como saber o que o personagem fez)

Olha…
A segunda vez que eu estive aqui (aqui onde? Caramba, é preciso responder direito ao “onde” das sete perguntas)
Já não foi pra distrair (eliminar o “distrair”, pois é repetição de palavra)
Eu senti saudade de você (“eu” é muito demonstrativo de arrogância. Pode ficar ofensivo ao leitor)
Olha…
Eu precisei do seu carinho
Pois eu me sentia tão sozinho
Já não podia mais lhe esquecer (esquecer a quem? Favor especificar, até para que o leitor saiba quem é a/o inesquecível em questão)

Eu vou tirar você desse lugar (de que lugar? Da lanchonete, do frigorífico? Favor especificar)
Eu vou levar você pra ficar comigo (“tirar você” e “levar você”. Favor corrigir para “tirá-lo/a” e “levá-lo/a”, isso antes de, é claro, dizer quem é o “você”)
E não interessa
O que os outros vão pensar (interessa sim. O leitor pode pensar as mais diversas coisas e temos de ser bem específicos)
Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não interessa
O que os outros vão pensar (repetição desnecessária e que torna o texto ainda menos informativo)

Eu sei…
Que você tem medo de não dar certo (medo de que não dar certo?)
Pensa que o passado vai estar sempre perto (favor especificar que passado é esse)
E que um dia eu posso me arrepender (arrepender de quê?)
Eu quero
Que você não pense nada triste (o que é triste para uns é alegre para outros. Vamos respeitar a opinião do leitor)
Pois quando o amor existe
Não existe tempo pra sofrer (e os crimes passionais? Favor mudar este trecho)

Eu vou tirar você desse lugar (de que lugar, porra?!)
Eu vou levar você pra ficar comigo (“levar você” de novo? Você é o quê? Agora só falta dizer “mim faz”)
E não interessa
O que os outros vão pensar (arrogante o senhor, hein?)
Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo (leva este texto para ficar contigo)
E não interessa
O que os outros vão pensar (interessa sim o que penso. Fora daqui com esse troço)
Eu vou tirar você desse lugar (claro. Vai tirar da minha mesa para nunca mais eu o ver)

De 15 a 18 de novembro, vai ser realizado o I Salão Nacional do Jornalista Escritor. O evento é aqui em São Paulo, no Memorial da América Latina, do lado da estação Barra Funda do Metrô e dos trens. Segue a programação:

DIA 15/11 (quinta-feira) 

14h30 Entrevista: Luis Fernando Veríssimo

16h00 Entrevista: Ruy Castro

17h30 Palestra/Debate – A REPORTAGEM COMO GÊNERO LITERÁRIO

           Expositor: Fernando Morais

           Debatedores: Heródoto Barbeiro e Ricardo Kotscho

           Mediador: Eduardo Ribeiro

20h00 Palestra – A GLOBALIZAÇÃO, O PODER ECONÔMICO E A MÍDIA

           Palestrante – Ignácio Ramonet Diretor do Le Monde Diplomatique

           Mediadora: Verônica Goyzueta 

DIA 16/11 (sexta-feira)

 11h30 Entrevista: Cícero Sandroni

14h30 Entrevista: Jaguar

16h00 Palestra/Debate – BIOGRAFIAS, JORNALISMO E LITERATURA

           Expositor: Alberto Dines

           Debatedores: Manuel Carlos Chaparro e Moacir Japiassu

           Mediador: Ricardo Viveiros

18h30 Entrevista Carlos Heitor Cony

20h00 Palestra/Debate – FICÇÃO E REALIDADE INTERDEPENDÊNCIA CRIATIVA: DE MACHADO A GRACILIANO

           Expositor: José Nêumanne Pinto

           Debatedores: Fernando Portela e Audálio Dantas

           Mediadora: Vera Rotta 

DIA 17/11(Sábado)

11h30 Entrevista: Mauro Santayana

14h30 Entrevista: Zuenir Ventura

16h00 Palestra/Debate – LIMITES E OUSADIAS DO JORNALISMO LITERÁRIO

            Expositores: Eric Nepomuceno, Antônio Torres e Flávio Tavares

            Mediador: Carlos Marchi

18h30 Entrevista: Ziraldo

20h00 Palestra/Debate – JORNALISMO COMO ESPAÇO LITERÁRIO: O CASO “REALIDADE”

           Expositores: Ignácio de Loyola Brandão, José Hamilton Ribeiro e Mylton Severiano

           Mediadora: Gioconda Bordon

DIA 18/11(Domingo)

 14h00 Entrevista: Juca Kfouri

15h30 Entrevista: Moacyr Scliar

17h00 Palestra/Debate – LIVRO-REPORTAGEM, FRONTEIRA LITERÁRIA DO JORNALISMO

           Expositores: Caco Barcelos, Domingos Meirelles e Eliane Brum

           Mediador: Florestan Fernandes Jr.

19h30 Entrevista: Mino Carta

As entrevistas serão mediadas pelo jornalista Claudiney Ferreira.

É bom que a galera vá em peso, para que haja a interação entre jornalista e leitores e, mais ainda, que também haja um estímulo ao texto agradável e que não subestima o leitor. Perguntem a todos eles de maneira incisiva, pois essa é a hora que possuem para expressar também a indignação com “o leitor não vai entender”, “você tem de presumir que o leitor não saiba nada” e assemelhados.

Para maiores informações, vá ao site.

Vemos a imprensa querer ensinar muita coisa. Até aí, tudo bem, pois nem todo mundo sabe dar nó em gravata ou um rápido da história do Uzbesquistão. Porém, estamos indo mais além e falar da postura arrogante que a imprensa assume.

 

Não há problema algum em se usar o imperativo. O problema é a maneira como é usado, assim como um Vossa Excelência pode soar mais ofensivo que um palavrão qualquer. Porém, eis que vemos muitas vezes coisas como “saiba como fazer tal coisa”, até mesmo em meios que falam da tal coisa. Logo, acaba havendo até aquela impressão de que na realidade o jornalista quis dizer algo como “eu sei que você não sabe nada e eu, que detenho esse conhecimento, irei te dar uma vaga noção disso”.

 

Isto não é da deontologia do jornalista e este que ergue a mão não é o leitor

Quando vejo certas matérias altamente oleitorísticas, a impressão que me passa é que ou seu autor ou o editor pelo qual passou o texto queriam dar aulas em escolas mas, vendo o quão pouco reconhecidos são os docentes, resolveram optar pelo jornalismo, na vaga ilusão de que ganhariam alguma consideração por seus trabalhos e mais salário, é claro.

Porém, desiludidos que ficaram com a profissão tão fetichizada que optaram seguir, meio que descontam as mágoas nas matérias. OK, um esclarecimento ou outro que se pede sobre certos trechos, uma mudancinha ou outra no texto ainda é aceitável. Porém, querer que explique tudo é pedir para deixar a coisa chata e tratar o receptor da notícia como incapaz.

 

Isto não é uma redação

Claro que também não precisa ser o editor mais rasteiro ou mesmo um diretor de redação a ter de iniciativa própria as posturas de “o leitor isso” ou “o leitor aquilo”. Há ocasiões em que é do próprio dono, esse muitas vezes alguém que quis ser acadêmico, mas não conseguiu. E, claro, não vamos deixar de lado também o fato de que muitas vezes esse dono contrata como subordinados gente que tenha afinação parecida no pensamento. E esses subordinados por aí vai… Claro que haverão exceções nessa cadeia hierárquica, mas essas ou se reprimirão para manter um emprego que lhes dá algum salário que seja ou baterão de frente com seus superiores, tendo altos riscos de serem demitidos.

 

Não, isto não é um centro de professores

E essas matérias muito esquemáticas sobre coisas amplamente conhecidas pelo leitor das mesmas é que acabam passando mais nitidamente a impressão de presunção de não-conhecimento por parte de quem lê o texto, o que não é verdade. Fora haver outras formas de abordar o leitor que valorizem os conhecimentos que ele tem. Não se iludam: meios jornalísticos são para informar, e não ensinar. Talvez possam até ser coadjuvantes na escola, dentro daquela conhecida parceria do tipo Veja na Escola ou Carta Capital na Escola. São úteis para leituras comentadas, mas nunca para serem cartilhas onde se aprende o beabá.

Penso aqui comigo quantos jornalistas enfadados dariam excelentes professores e, isso sim, tirariam o Brasil do déficit educacional que se encontram. E o porquê de tanta fetichização do jornalismo a ponto de hordas de pessoas quererem seguir a carreira.

5 de novembro foi o melhor dia do blog até agora: 204 visitas. Agradeço a todos…

 Quem é not�cia? A fonte ou o feito da fonte?

BlogBlogs.Com.Br

Imaginemos que a mulher aí de cima seja uma genial cientista. Descobriu uma teoria que revolucionou um determinado setor que não afeta tanto nosso dia-a-dia, mas mesmo assim é algo muito revolucionário ou extraordinário para a ciência em geral.

Você leva esse assunto à reunião de pauta, e chega a levar uma série de informações falando da figura em questão. Todo esperançoso, imagina que uma questão dessas, que tem sua importância, vá ser acolhida sem maiores objeções.

Acaba por se decepcionar. Instâncias superiores dizem que a notícia é legal, mas ela é muito feia, não sairá bem na foto e por causa disso, uma pauta é derrubada. Talvez falem da enésima BBB que vai posar nua e que nem é assim tão bonita quanto querem supor.

OK, é um caso bem exagerado, até porque editoria de ciência não tende a ter essas coisas, mas serve para ilustrar o preconceito que mulheres sofrem enquanto fontes.

E não precisa ser um canhão que nem nosso distinto exemplo. Basta acharem a mulher esquisita que logo virão com objeções a ela ser pauta, mesmo que tenha feito algo extraordinário.

Antes de virem acusar o modelo patriarcal machista e blablablá, aviso que já ouvi papos desses inclusive de mulheres falando sobre que mulher pôr em uma determinada nota. Até puseram uma que consideravam esquisita, meio a contragosto e ainda depois ficaram criticando a decisão já tomada.

Esqueceram-se que a fulana em questão tinha mandado muito bem em nível mundial em um campo sem tanta expressão no Brasil.

Não duvido que muitos outros jornalistas tenham casos semelhantes a esse ou até provavelmente muito piores.

Lembro-me sempre da Joana Woo, presidente da editora Símbolo, onde trabalhei, falando que as vezes em que a Dieta Já mais vendia era quando tinha na capa uma mulher não-famosa, que às vezes nem tão em forma estava e nem tão bonita era obrigatoriamente, mas que tinha secado umas boas dezenas ou quase centena de quilos. Sim, isso mesmo que estão lendo. Se isso não é o interesse pela informação, não saberei o que é.

Claro que há espaço nas publicações para mulheres deslumbrantes aparecerem pelo simples fato de serem deslumbrantes. Um ensaio sensual ou de nu é exemplo disso. Nesses casos, o texto é só mesmo algo para ocupar espaço um determinado espaço e dizer que ocupou. Porém, tratar a notícia que uma mulher vá dar como algo de menor ou nenhuma relevância só porque ela não é bonita é de uma coisificação com a pessoa sem tamanho. E é mais comum do que pensam.

Que uma matéria não seja publicada por causa de fotos que ficaram ruins (por problemas na resolução adotada pelo fotógrafo, por exemplo), vá lá. Mas não noticiar algo que nada tem a ver com beleza da pessoa pelo fato de a fonte que gera a notícia não ter exatamente um certo grau estético é de um cinismo sem igual.

Estando já no terceiro dia de vida, primeiramente agradeço pelos comentários de quem respondeu às primeiras postagens do blog. Hoje, eis que me surpreendo de ver que já se fala daqui lá fora (ou algo assemelhado a isso):

14. André, não se iluda, são idiotas mesmos! 

caixa-pregos | 23/09/07 20:57:49

OK, agradeço pelo primeiro comentário sobre este blog feito fora dele. Não sei quem é o senhor ou senhora caixa-pregos, mas respeito sua opinião. Talvez seja mesmo um iludido e devesse começar a tratar o leitor de minhas matérias presumindo que seja mesmo um idiota completo. Talvez dar ouvidos e razão a quem os chama de “mongos” e “marmotas” (pois, como já disse antes, Homer Simpson é qualificação bem leve).

Será mesmo que o leitor é tão idiota que não percebi?