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A notícia já é ligeiramente envelhecida, mas vale a pena comentá-la. E o principal motivo é que ela fala da internet superando os jornais como segunda fonte de notícia mais procurada nos EUA, perdendo apenas para a televisão. Vale lembrar que aqui no Brasil, esse fenômeno já aconteceu antes e só agora muita gente grande se deu conta que está sendo superada.

Como não poderia deixar de ser, tenho de guinar o tema para o que fala este blog. E neste caso, dá para embutir aí o conceito da reação do leitor, tido como idiota por muitos jornalistas, contra estes.

Motivos não falta para que eu ache isso. É da natureza da internet ser um lugar aonde você procura a notícia e não é procurado por ela. O jornal e a revista, se você os assina, são jogados regularmente na porta de sua casa. A televisão, basta você ligar e ouvir o que o âncora tem a te dizer. Já este meio em que esta mensagem é escrita, não. Se você não sabe o que significa algo, bastará digitar em algum buscador e este te passará, por exemplo, um link da Wikipedia dizendo resumidamente o que é esse algo. A notícia é inclusive mais limpa esteticamente por conta dessa natureza, bastando ver o exemplo abaixo, que qualquer um é obrigado a explicar, uma vez que não é assunto que uma ampla maioria conheça ou tenha a qualquer noção:

Internet:

pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico

Meio escrito:

pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico (portador de empedramento dos pulmões causado por inalação de cinzas vulcânicas)

A palavra em si tem 46 caracteres. Na explicação do meio físico, você teve de acrescentar mais 81 (incluindo aí o espaço entre a palavra e o primeiro parêntese). Fosse só isso, não haveria maiores problemas. Porém, aquilo que o colega Geneton definiu como o enterro da imprensa teima em explicar tudo, achando que a pessoa a princípio nada sabe, isso para não falar do farto fornecimento de detalhes a perigosos extraterrestres que tenham chegado a este planeta sem saber qualquer coisa a respeito dele, mas com fins de dominação. Um clássico é “internet, a rede mundial de computadores”. Até minha falecida avozinha sabia o que era internet, mesmo que nunca tivesse mexido com a dita cuja e sua escrita remetesse às normas ortográficas dos anos 30.

Alguns teóricos da internet diriam que pôr um link tira a audiência de seu site, mas muito antes do advento das abas, já era possível pô-lo abrindo em outra janela, como é feito neste blog. Agora com a aba, basta apenas abrir uma, clicar, ler a dita cuja e voltar ao texto. Claro que alguns se esquecerão do que estavam fazendo, mas como imprensa é empresa, o pageview foi garantido e o dono pode esfregar os mesmos na cara dos anunciantes. Isso para não falar de soluções que permitem que a explicação esteja na própria página ou remetida para um glossário ou coisa parecida dentro do site em questão.

Ainda na parte ativa da internet e minha suspeita de isso ter sido uma das principais causas de ela ter superado os jornais em audiência, fica a coisa de poder comparar o que dois portais disseram e ver quem está com maior acurácia. Em uma aba, posso ter o Uol, na outra o G1 e em outra o Terra, todos falando da mesma coisa, isso para não falar da nova imprensa que surge e que já fez muito tubarão arrancar os cabelos antes de a Polícia Federal deflagrar operações de nome maneiro relacionadas.

Parte da questão da portabilidade foi resolvida. Quem tem um telefone 3G pode sossegadamente ler as tais notícias da net onde estiver. Dependendo do modelo, dá até para poupar os pacotes de dados e acessar em wi-fi. Claro que para moradores deste país, devido à grande presença de pessoas que invejam aqueles que trabalham honestamente e adquirem seus bens com o suor do rosto, recomenda-se não fazer isso em ruas ou lugares com muitas pessoas.

Sim, há no Brasil essa aspecto da segurança pessoal e da não-ostentação que pode ser um filão a ser explorado pelos jornais e revistas. Porém, é muito pouco, uma vez que poucos são os profissionais que ficam na rua o dia inteiro (e no caso dos jornalistas, eles estão ficando na rua menos tempo do que deveriam, uma vez que muitas empresas acham que a apuração exclusivamente telefônica serve para alguma coisa além de enganar o leitor). Boa parte dos profissionais de hoje tem em sua frente uma tela de computador e este computador ligado à rede. Portanto, pode ver a notícia acontecendo quase simultaneamente ao fato.

E para que servirão os jornais? Muitas empresas ainda não notaram que os jornais não sumirão, mas sim serão reinventados. Esquecem-se do maior conforto de leitura que uma fonte refletora de luz tem em relação a uma que emite. Quantos aqui conseguem ler um texto longo na internet sem que pareça que uma hora as letras andem pela tela? Só no presente momento que escrevo este compridinho, já pus as mãos na cara e cocei os olhos. Porém, quantos aqui lêem na boa não um jornal, mas um livro de mais de 500 páginas? Dúvidas? Vá a um ônibus ou metrô e veja o brasileiro normal fazendo isso.

Já a outra coisa é puramente jornalística mesmo. Apure (bem e usando o telefone só para primeiros contatos ou coisas pequenas) algo que a internet ou a TV não tenha dado e tenha certeza que seu meio impresso aumentará as vendas e terá leitores fiéis. Ah sim, que essa boa apuração esteja nas mãos de alguém que escreva bem, pois um texto envolvente faz qualquer um ler na boa 20 mil caracteres em uma sentada só. Claro que isso serve sem problema para a própria internet, que é escrita.

“Ah, mas o leitor não vai saber o que estamos falando. Nosso meio tem como público-alvo pessoas de pouca escolaridade e oriundas da aprovação automática”. Já parou para ver onde estão alguns desses? Qualquer dúvida, vá a uma LAN-house e verá uma porrada desses seus leitores-alvo. Quer ir para o humilde casebre de um deles? Corre o risco de ver um computador mais invocado que o da sua casa, e regiamente pago em dia. E, claro, com uma série de conhecimentos que nem de longe estão retratados nas redações que dizem pensar neles. Quanto tempo demorou para a imprensa, especialmente a musical, tomar conhecimento de fenômenos silenciosos do País, como o tecnobrega do Pará e o kuduro transplantado de Angola para a Bahia? Talvez ainda estejam alheios a isso. E talvez ainda achem que só entram na internet para ver Orkut e mandar currículo.

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