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Aos 35 anos, Fulana de Tal está preocupada com sua vida. Cansou de não ser reconhecida nos lugares onde trabalha. “Eu sou uma p… duma esforçada e nada de me dizerem ao menos um obrigado, reclama.
Seu filho, Beltrano, de 6 anos, não conhece o pai. “Ele tem fome de conhecer aquele traste“, conta a mãe, que reclama da situação.

Ela não tem uma casa exatamente em dia com a manutenção, mas moradia digna em seu geral. Mora em uma rua perto dos baixos de um viaduto. Tábuas do chão estão empenadas. Os lustres estão para cair sobre a cabeça. “E eu não tenho dinheiro para fazer essas reforminhas“, reclama a esforçada trabalhadora que fez o curso de economia da PUC na turma da noite.

 Representação ligeiramente (e só ligeiramente mesmo) do que se entrega para certos editores e do que sai publicado.

Jornalistas que entram em uma redação são orientados a não escrever em voz passiva, isso quando não são instados a bani-la de seus textos. Essa é tida como um complicador à leiturabilidade e que deve ser banida a qualquer custo. Porém, quando indagados mais profundamente, muitos jornalistas deixarão demonstrado o desconhecimento do porquê de tal regra que muitas vezes nem encartada no manual de redação está.

Quando os meios são lidos, expressões como “bala perdida mata fulano” têm maior constância em sua aparição, mesmo que sua construção seja um demonstrativo de pessoas transformadas em mera estatística, isso quando não insensibilidade. É algo que um “fulano é atingido por bala perdida” seria mais respeitoso à memória do anônimo que teve abotoado o paletó de madeira.

E a voz passiva segue transformada em tabu. Até mesmo objetos inanimados são tidos como dignos de voz ativa. Assim, subitamente a uma bala é conferida vida própria, até mesmo ser transformada em agente de um crime.

Ouvem-se diversos papos em redações contra a dita cuja. Porém, ela nunca é pensada como algo enriquecedor de textos e com lugar adequado, desde que usada com parcimônia, assim como a ativa o deve ser. Crê-se que seu banimento foi causado pela presunção de que o leitor é portador de alto grau de ignorância e incapaz de saber ou ter algum grau de conhecimento.

Este texto foi propositadamente escrito em voz passiva. Agora, veremos o que foi entendido pelos parcos leitores deste blog nos comentários. Desde já, estou agradecido pela leitura feita.

Pare um pouco para lembrar. Tomou Doril, o que aconteceu com a dor mesmo? É, gente, estamos falando de comerciais. Todos aqui lembram rapidinho de uma série de fatos jornalísticos relevantes, assim como lembram de uma série de comerciais. Mas e alguma matéria marcante sobre um determinado fato jornalístico importante, lembram?

OK, agora é a hora em que muitos param para pensar. E falo de matérias mesmo, não de colunas ou artigos. Falamos daquilo mesmo: ser isento, ouvir todos os lados e outros postulados do bom jornalismo. Pedirei ainda mais: que falem de uma matéria marcante que tenha saído em jornal ou revista, não valendo livro-reportagem. Piorou?

Não duvidarei que isso acontecesse. Em compensação, se perguntarmos de quantos comerciais marcantes as pessoas lembram, imediatamente virão uma série de filmes realmente geniais. E não é à toa. E o motivo é simples: comerciais precisam segurar a atenção do telespectador, pois este provavelmente aproveitará o intervalo para ir ao banheiro ou mesmo zapear. Se estiver lendo uma revista, tem de ser um anúncio que lhe atraia suficientemente a atenção para que não pule de página ou passe batido. Já meios de comunicação estão achando que serão lidos obrigatoriamente por aquele que os adquire.

E voltamos a apresentar X. Alguém aqui lembra mesmo de um texto imortal em uma matéria das mais ordinárias? Difícil, não é verdade? E não lhes tiro a razão.

Pegarei um exemplo recente de comercial que achei muito bom: aquela série da Unibanco-AIG em que a hiena Hardy contracena com o Miguel Falabella. Eis que o divertidamente pessimista personagem da Hanna-Barbera diz uma frase:

– E se aqui do lado morar um maluco que pensa que é Nero?

Precisa mesmo dizer quem foi Nero e o que significaria um maluco que pensa que é o imperador romano? Talvez, se fosse uma matéria sobre seguro de imóveis teríamos algo como “um dos maiores problemas do seguro de imóveis é haver a presença de um vizinho piromaníaco que tem surtos esquizofrênicos e se acha Nero, o imperador que mandou incendiar Roma para botar a culpa nos cristãos”. Burocrático, não é verdade? Textinho enfadonho? Concordam comigo?

E pior ainda que isso, vai completamente contra o poder de síntese que o jornalismo supostamente deveria ter. Se me perguntarem se o leitor (o leitor mesmo, não a pessoa com primeiro nome O e sobrenome Leitor procurado inutilmente na postagem anterior) leria isso, com certeza não. Talvez até pulasse essa frase. Mas é isso que o brasileiro tem visto em boa parte dos meios de comunicação: textos que, se fossem pessoas, teriam ido dormir de calça jeans e/ou meia-calça. Preciso mesmo dizer o que significa essa expressão?

E o pior é que, em alguns meios, quando você quer fazer algo um pouco diferente no jornalismo, logo dizem que você tem ego inflado, quer aparecer, que não se dá conta de que a informação tem de ser facilmente compreendida, entre outras. Isso se não te pedirem para reescrever a matéria, uma vez que com o computador, não faz mais efeito dramático algum rasgar o texto na frente de seu autor que tanto se esforçou. Será mesmo que por escrever de um determinado jeito e não de outro, queremos aparecer mais que o assunto?

Abaixo, um comercial que acho fantástico: