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Pare um pouco para lembrar. Tomou Doril, o que aconteceu com a dor mesmo? É, gente, estamos falando de comerciais. Todos aqui lembram rapidinho de uma série de fatos jornalísticos relevantes, assim como lembram de uma série de comerciais. Mas e alguma matéria marcante sobre um determinado fato jornalístico importante, lembram?

OK, agora é a hora em que muitos param para pensar. E falo de matérias mesmo, não de colunas ou artigos. Falamos daquilo mesmo: ser isento, ouvir todos os lados e outros postulados do bom jornalismo. Pedirei ainda mais: que falem de uma matéria marcante que tenha saído em jornal ou revista, não valendo livro-reportagem. Piorou?

Não duvidarei que isso acontecesse. Em compensação, se perguntarmos de quantos comerciais marcantes as pessoas lembram, imediatamente virão uma série de filmes realmente geniais. E não é à toa. E o motivo é simples: comerciais precisam segurar a atenção do telespectador, pois este provavelmente aproveitará o intervalo para ir ao banheiro ou mesmo zapear. Se estiver lendo uma revista, tem de ser um anúncio que lhe atraia suficientemente a atenção para que não pule de página ou passe batido. Já meios de comunicação estão achando que serão lidos obrigatoriamente por aquele que os adquire.

E voltamos a apresentar X. Alguém aqui lembra mesmo de um texto imortal em uma matéria das mais ordinárias? Difícil, não é verdade? E não lhes tiro a razão.

Pegarei um exemplo recente de comercial que achei muito bom: aquela série da Unibanco-AIG em que a hiena Hardy contracena com o Miguel Falabella. Eis que o divertidamente pessimista personagem da Hanna-Barbera diz uma frase:

– E se aqui do lado morar um maluco que pensa que é Nero?

Precisa mesmo dizer quem foi Nero e o que significaria um maluco que pensa que é o imperador romano? Talvez, se fosse uma matéria sobre seguro de imóveis teríamos algo como “um dos maiores problemas do seguro de imóveis é haver a presença de um vizinho piromaníaco que tem surtos esquizofrênicos e se acha Nero, o imperador que mandou incendiar Roma para botar a culpa nos cristãos”. Burocrático, não é verdade? Textinho enfadonho? Concordam comigo?

E pior ainda que isso, vai completamente contra o poder de síntese que o jornalismo supostamente deveria ter. Se me perguntarem se o leitor (o leitor mesmo, não a pessoa com primeiro nome O e sobrenome Leitor procurado inutilmente na postagem anterior) leria isso, com certeza não. Talvez até pulasse essa frase. Mas é isso que o brasileiro tem visto em boa parte dos meios de comunicação: textos que, se fossem pessoas, teriam ido dormir de calça jeans e/ou meia-calça. Preciso mesmo dizer o que significa essa expressão?

E o pior é que, em alguns meios, quando você quer fazer algo um pouco diferente no jornalismo, logo dizem que você tem ego inflado, quer aparecer, que não se dá conta de que a informação tem de ser facilmente compreendida, entre outras. Isso se não te pedirem para reescrever a matéria, uma vez que com o computador, não faz mais efeito dramático algum rasgar o texto na frente de seu autor que tanto se esforçou. Será mesmo que por escrever de um determinado jeito e não de outro, queremos aparecer mais que o assunto?

Abaixo, um comercial que acho fantástico: 

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 Quem é not�cia? A fonte ou o feito da fonte?

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Imaginemos que a mulher aí de cima seja uma genial cientista. Descobriu uma teoria que revolucionou um determinado setor que não afeta tanto nosso dia-a-dia, mas mesmo assim é algo muito revolucionário ou extraordinário para a ciência em geral.

Você leva esse assunto à reunião de pauta, e chega a levar uma série de informações falando da figura em questão. Todo esperançoso, imagina que uma questão dessas, que tem sua importância, vá ser acolhida sem maiores objeções.

Acaba por se decepcionar. Instâncias superiores dizem que a notícia é legal, mas ela é muito feia, não sairá bem na foto e por causa disso, uma pauta é derrubada. Talvez falem da enésima BBB que vai posar nua e que nem é assim tão bonita quanto querem supor.

OK, é um caso bem exagerado, até porque editoria de ciência não tende a ter essas coisas, mas serve para ilustrar o preconceito que mulheres sofrem enquanto fontes.

E não precisa ser um canhão que nem nosso distinto exemplo. Basta acharem a mulher esquisita que logo virão com objeções a ela ser pauta, mesmo que tenha feito algo extraordinário.

Antes de virem acusar o modelo patriarcal machista e blablablá, aviso que já ouvi papos desses inclusive de mulheres falando sobre que mulher pôr em uma determinada nota. Até puseram uma que consideravam esquisita, meio a contragosto e ainda depois ficaram criticando a decisão já tomada.

Esqueceram-se que a fulana em questão tinha mandado muito bem em nível mundial em um campo sem tanta expressão no Brasil.

Não duvido que muitos outros jornalistas tenham casos semelhantes a esse ou até provavelmente muito piores.

Lembro-me sempre da Joana Woo, presidente da editora Símbolo, onde trabalhei, falando que as vezes em que a Dieta Já mais vendia era quando tinha na capa uma mulher não-famosa, que às vezes nem tão em forma estava e nem tão bonita era obrigatoriamente, mas que tinha secado umas boas dezenas ou quase centena de quilos. Sim, isso mesmo que estão lendo. Se isso não é o interesse pela informação, não saberei o que é.

Claro que há espaço nas publicações para mulheres deslumbrantes aparecerem pelo simples fato de serem deslumbrantes. Um ensaio sensual ou de nu é exemplo disso. Nesses casos, o texto é só mesmo algo para ocupar espaço um determinado espaço e dizer que ocupou. Porém, tratar a notícia que uma mulher vá dar como algo de menor ou nenhuma relevância só porque ela não é bonita é de uma coisificação com a pessoa sem tamanho. E é mais comum do que pensam.

Que uma matéria não seja publicada por causa de fotos que ficaram ruins (por problemas na resolução adotada pelo fotógrafo, por exemplo), vá lá. Mas não noticiar algo que nada tem a ver com beleza da pessoa pelo fato de a fonte que gera a notícia não ter exatamente um certo grau estético é de um cinismo sem igual.

Acabo de assistir ao Roda Viva em que foi o Mano Brown, líder dos Racionais. Como até minha quase centenária avó sabe, o quarteto periférico quase não aparece na mídia, não faz questão de aparecer e, quando aparece, o faz pela Cultura. Os Racionais já apareceram no Ensaio e o Brown, quando muito, já foi entrevistado no Grandes Momentos do Esporte para falar sobre o Santos.

Pois bem, convenhamos que arrastar o Brown para a cova dos leões midiáticos é daquelas coisas mais difíceis do que achar um filho de prostituta chamado Júnior. E o que fizeram? Perguntinhas bem água-com-açúcar, que até o entrevistado se surpreendeu, lembrando que já assistiu a edições em que convidados foram mais provocados. E não faltariam coisas mais interessantes a se perguntar para o Brown. Não faltariam também motivos para pôr o entrevistado contra as cordas. Listo alguns:

1) Os tempos em que víamos o que alguns consideravam como racismo reativo por parte dos Racionais. Tudo bem que foi há mais de uma década, mas até hoje, o Maluf “estupra mas não mata” e o Gérson continua sendo visto como quem leva vantagem em tudo.

2) Falar sobre o que ele acha do ethos multiétnico e de muitas pessoas o assumirem sem problema algum suas várias ancestralidades sem quererem se ver como negro mesmo que outros queiram induzi-los a tal. Em uma das canções dos Racionais, falam sobre mulheres afrodescendentes usando o termo “mulata” como profissão, sendo que há pessoas que usam “mulato” como um termo até de auto-estima. Muitos acham que “mulato(a)” vem de “mula”, mas estudiosos espanhóis e mesmo árabes registram a origem da palavra vindo do árabe muwallad, que simplesmente significa “pessoa de ancestralidade mista”, originalmente termo usado durante os califados ibéricos para definir o filho de um árabe e uma local. Logo, em tese, um ítalo-ibérico como eu ou uma teuto-luso-árabe como minha amiga Patrícia Köhler somos mulatos, no sentido estrito do idioma de Avicena.

3) Falar sobre a surpreendente variabilidade genética de personalidades afrodescendentes famosas. Vide Neguinho da Beija-flor e seus 67% de genes caucasianos.

 4) Perguntar sobre os experimentalismos em Nada como um Dia após o Outro, em que vemos ligeiros flertes com o gangsta rap, além de um rap mais fluido e cantado mais rápido (outra coisa mais típica de EUA), também uma ligeira insinuação bling (“eu quero a minha cota em dólar”, “chegar de Honda preto com bancos de couro”, “Imagina nós de Audi ou de Citroën”). Aliás, não é incomum o terceiro disco de uma banda ser experimental. Com Jamiroquai houve coisa parecida.

 Pois bem, não foi o que vimos. Apenas vimos o pessoal passear sobre temas mais que manjados para o próprio Brown. Pareciam dizer “Caramuru, Caramuru” para o rapper mais importante do País. OK, antes que alguns digam que estou sendo duro com pessoas que nem jornalistas são (afinal, havia não-jornalistas na composição da banca), lembremos que quem faz o Roda Viva nos bastidores são os jornalistas. São eles que compõem a banca e escolhem os convidados. Hoje mesmo, no frila que faço no Agora São Paulo, ouvia companheiros de jornada falando que a composição da banca estava fraquinha. Sugeriram até mesmo que se convidasse o Reinaldo Azevedo. Quem já assistiu a edições do programa com o hoje colunista da Veja sabe que ele estava em uma fase áurea e ele chegou a falar uma legal para um cara que via o mulato (sentido brasileiro da palavra) apenas pelo lado africano da ancestralidade. E falo isso independente de ele ser direitista daqueles, mas sim porque estava em uma fase boa enquanto jornalista que capta um lance do entrevistado e imediatamente rebate uma bem dada que joga o cara nas cordas (o famoso “mas veja bem…”).

Não chegaria a um extremo, pois talvez o próprio Brown tenha imposto condições, mas que aquela banca merecia ser melhor composta, ah, isso merecia. Perdeu o telespectador. Não duvido que até aqueles que amam o Brown de paixão tenham saído da frente da TV, ido fazer um café, voltado e tido uma sensação parecida àquela de alguém que vê um jogo de futebol pela TV daqueles bem xoxos.

quando comparada ao que ouvimos nas muitas redações do Brasil.

Uma marca de William Bonner, não podemos negar, é o jeito sereno com que conduz um telejornal. Observemos que ele continua firme e forte, sem sinais de que irá ser substituído no Jornal Nacional. Basta compararmos sua trajetória à de Boris Casoy.

Por isso, ao vê-lo chamar o telespectador médio de Homer Simpson, aviso-lhes que foi uma adjetivação bem leve se compararmos ao que nós jornalistas ouvimos em outros lugares. Podemos até criticar o critério com o qual ele escolhe pautas para o Jornal Nacional, mas garanto que Homer é a mais suave das adjetivações pelas quais leitores, ouvintes e telespectadores podem ser chamados.

Por que falo isso? Um amigo meu conta que já ouviu chamaram abertamente o leitor de “mongo” em um de seus ex-empregos. Isso mesmo, a corruptela de “mongolóide”, cujo significado dispensa comentários. Fora o incrível preconceito embutido para com os portadores de Síndrome de Down, quem proferiu tal ofensa ao leitor mostrou deliberadamente que por aquelas bandas faz-se de tudo, menos jornalismo. E garanto que é um meio escrito dos mais desinteressantes da atualidade.

Para certas redações, este é um casal tipicamente brasileiro

Já outro amigo lembra do tempo em que ouvia uma editora, funcionária de uma das maiores empresas de comunicação sem sede em capital, chamar as leitoras da publicação de “marmotas”. Agora vai uma explicação: a marmota é um roedor que não faz grande esforço para comer, pois seu alimento está em volta da toca (grama). Durante o inverno hiberna e é presa relativamente fácil para aves de rapina. Elas são animais sociais e à menor ameaça, dão um grito agudo.

T�pica leitora de publicação feminina, segundo a opinião de uma editora de publicação dirigida a esse público

Aliás, é com as femininas que me preocupo mais. Será que a leitora média de uma publicação aceita assim tão passivamente matérias com nítido viés fútil? E as 500 mil dicas para levar o homem à loucura? Quantos litros de silicone botou em cada uma das “tcholas”? Quantas será que já morreram de botulismo de tanto aplicar a tal toxina da bactéria que causa tal doença, com o objetivo de deixar a testa esticada? Dizem que a leitora quer se ver como esse tipo de mulher, mas será mesmo que não há outras preocupações, como mercado de trabalho, criação dos filhos, doenças específicas, entre outras? Segue um link que pode fazer as caras leitoras pensarem se não estão sendo submetidas a lavagem cerebral a cada 30 dias.